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INOVAÇÃO – A madeira plástica!

Com tecnologia exclusiva, indústria do Paraná desenvolve produto a partir de sobras

Imagine um produto que parece madeira, tem cor de madeira, e que não lasca nem solta farpas. Um produto de alta durabilidade, que também é resistente a fungos e pragas. Para o antigo marceneiro, um sonho. Para a comunidade em geral, uma realidade: a madeira biossintética é reflexo da inovação do setor que já foi acusado de ser o principal responsável pelo desmatamento no País. Hoje, retrata a reinvenção dessa indústria.

O conceito da madeira biossintética, também chamada de madeira plástica, é totalmente sustentável. O produto é fabricado com matéria prima proveniente de sobras. A madeira (70% do composto) vem de restos de paletes, bobinas, maravalhas, pó de serra. Já o plástico duro (PEAV) é resultado da reciclagem feita pela coleta seletiva. Essa mistura, triturada e aquecida a altas temperaturas, resulta num produto inovador e que vem ganhando espaço no mercado nacional.

O Paraná é um dos poucos estados brasileiros detentor dessa tecnologia. A Madeplast, que conta com um complexo industrial em Mandirituba, Região Metropolitana de Curitiba, fabrica a madeira biossintética desde o final da década passada. A indústria, incumbada na Universidade Positivo de Curitiba, é dona de uma tecnologia exclusiva e desenvolvida em conjunto com a Unicamp, UFPR e Senai-PR.

Os conceitos ecológico e sustentável não fazem parte só da linha de produtos: a fábrica conta com um ciclo fechado e consegue economizar 99% da água utilizada e até 95% de energia elétrica na produção. “Sempre tivemos como propósito fabricar um produto 100% ecológico. A nossa tecnologia contém apenas 30% de plástico da composição, isto é, menor percentual que a madeira plástica tradicional, que é o plástico imitando a madeira”, explica o superintendente da Madeplast, Guilherme Bampi.

A empresa, líder deste segmento no mercado, está presente em 18 estados. Com a maior aceitação da madeira biossintética entre a população, o produto começa a ter um preço mais vantajoso que a madeira comum. Tanto que a Madeplast estuda ampliar os negócios neste ano. “Pretendemos expandir para todos os estados, atuando em todas as capitais brasileiras”, diz Bampi.

Soluções criativas
A madeira biossintética nasceu de uma necessidade da indústria norte-americana na década de 1990. A aceitação do mercado foi boa. Estudos indicam que esse produto está presente em mais de 35% das casas nos Estados Unidos.

A tecnologia demorou a chegar no Brasil, mas veio pra ficar. Bastam um projeto de um engenheiro ou arquiteto e um molde do setor técnico. Pronto: cercas, mourões, passarelas, pontes, móveis, decks de piscinas – a lista do que pode ser produzido com ela vai até onde a imaginação alcançar.

“A manutenção é o diferencial desse produto. Ele é facilmente adaptado ao meio, pode ser aplicado em áreas internas ou externas, aceita tinta e os custos para conservação são mais acessíveis se comparados com a madeira comum”, explica a arquiteta da Master Ambiental, Bárbara Gimenez.

Fonte: www.folhaweb.com.br